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sexta-feira, setembro 12, 2014

Porque Comedown Machine é o melhor disco da The Strokes


Album Comedown Machine (2013) – The Strokes
O quinto álbum da banda nova-iorquina The Strokes chegou às lojas em março de 2013 e ainda gera polêmicas e criticas enviesadas. Com grande influência dos anos 80, a banda consegue consagrar toda a sua maturidade em um misto de faixas que tanto retoma características do início avassalador que tiveram nos anos 2000, quanto demonstra sua nova face frente público com já 14 anos de estrada.

A guitarra perturbadora de Nick Valensi e Albert Hammond Jr permanecem chamando atenção, fazendo dupla com os refrões marcantes de letra suave e de vocal duplicado de Julian Casablancas. Tanto desafiadores que são, ainda é difícil distinguir qual é a guitarra base e qual é a solo, se de Nick ou de Albert, exatamente como eles se apresentam nos shows, mexendo com os sentidos confundindo com riffs criativos e marcantes.

As influências deste álbum, embora não declaradas e diferentes dos dois primeiros álbuns de incrível sucesso da banda, não poderiam ser melhores. É possível notar a velha face da banda, com sua velha influência outsider de Lou Reed, The Velvet Underground e certa coisa de The Hollies. Ao mesmo tempo, é notável perceber que o vocal de Julian diferente de todos os outros discos. A música é contínua, nos remete a Is This It, como a track 80’ Comedown Machine, perfeita em misturar a velha The Strokes com a nova face oitentista que culmina especificamente nesta faixa.

Já, em faixas como o divertido single One Way Trigger, nota-se claramente a influência dos anos 80, dos noruegueses do A-Ha. Em Welcome to Japan, quase dá para associá-la com o hit de 1989 “China Girl” de David Bowie, e Partners in Crime, com características de Echo and The Bunnymen e New Order, onde os próprios componentes da banda já se juramentaram como fãs.


Parece que depois de tropeçar em algumas faixas não muito aceitas no último disco “Angles” de 2011, a banda carismática de jovens promissores encontrou o caminho, sempre não se importando com as críticas e seguindo aquilo de que gostam e que fazem parte de si mesmos.

Fonte:
http://www.thestrokes.com.br/ (acesso em 12/09 16:24)
           
http://www.thestrokes.com/ (acesso em 12/09 15:25)

quarta-feira, maio 15, 2013

O sentido da música

O homem é perverso e isso é fato. 
Mas se existe algo do qual me orgulho de ter sido desenvolvido e do qual faz minha vida ter muito mais sentido depois da presença constante na minha tão ridicula vida é a música.

Na música não há distinção de cor, raça, classe social. Ninguém abre sua carteira pra ver quantos cartões de crédito você tem para poder ouvir sua música. Uma amiga de muito tempo uma vez disse que eu tinha o dom da música, mas eu nunca acreditei nessa história de dom.

É fato que eu gosto de cantar. Lembro-me de quando era bem criança e me escondia no vão do sofá com a chupeta (usei-a até os 7 anos) amarrada na fralda e o Sansão de pelúcia, enquanto minha avó passava a enceradeira no chão e aquele cheiro de limpeza empesteava minhas narinas. Ela botava um LP do Raça Negra ou da Clara Nunes. Saia dançando no corredor empurrando a enceradeira, com os pinschers atrás latindo. Depois, brincando de casinha debaixo da escada eu cantarolava as músicas da minha avó pra fazer meus bebês de plástico dormirem. 

Um dia, como uma brincadeira de professora e aluno, eu cantei um trecho de "meu coração, não sei porquê, bate feliz quando te vê..." e ouvi um "oh que lindo! você é soprano!" ... Hã? 

Então, alguns meses depois eu cantei "Happy Day" acompanhada de um coral de cerca de 40 crianças de sete anos num palco cheio de gente. Mas, mesmo com as chatices do coral (que era cerca de 70% do total), eu estava me divertindo. E, não querendo me gabar, eu cantava muito bem. 

Depois conheci a Tia Rosa. Professora de canto num curso oferecido gratuitamente pela prefeitura de Barueri - Canto Coral. 
Crianças estranhas, pobrinhas, riquinhas, chatinhas, legalzinhas, mas todas pequenininhas. Foram 4 anos, a rotatividade dos alunos e dos próprios integrantes do coral era grande, os alunos duravam no máximo um mês e meio. Exceto eu, que fiquei por quatro anos sem faltar a uma só aula, e a um só ensaio. Virei uma espécie de amuleto do curso. Patrimônio, saca?

Daí a Tia Rosa, que já tinha uns 65 anos, começou a apresentar sinais de esclerose. Morreu logo em seguida. O Professor Arthur então tomou a frente do coral. Eu o odiava, odeio. 

Fiquei um ano ao lado dele mas depois tivemos muitas brigas, durante dois anos, cheguei a me afastar do coral quase que de forma total. Ficava meses sem ir. E quando ia, fazia meus exercícios sozinha, ensaiava sozinha, não cumprimentava ninguém. Ele queria mudar o meu jeito de cantar, eu havia treinado por quatro anos uma forma de cantar que muito me agradava, minha voz era limpa, era alta e forte. Depois dele, ela ficou tremula, sussurrante, seca, uma merda. 

Orgulho-me da minha música, ela foi uma conquista minha, e não algo que veio de mão beijada, ou da qual não pude escolher. Estou voltando aos poucos, esse romance está longe de acabar.